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Marcos Mazoni - Serpro

Todas as tecnologias têm limites

O que não tem limites é nossa capacidade de trabalhar juntos.

"O Congresso Internacional Sociedade e Governo Eletrônico - CONSEGI tem dimensão proporcional à da utilização das tecnologias da informação e comunicação pelo Governo Federal. Os esforços que vêm sendo empreendidos para modernização, transparência do Estado e para oferecer facilidades ao cidadão precisam ser mostrados de maneira abrangente e de uma só vez.

O Governo Eletrônico – um dos eixos temáticos do CONSEGI é, por si só, uma trilha gigante, que remete à multiplicidade de funcionalidades e serviços que o Estado oferece. O segundo eixo temático – Inclusão Digital – entra como elemento diferencial, porque trata do uso da tecnologia da informação para diminuir os abismos sociais. Todos fazem Governo Eletrônico, mas incluir digitalmente o cidadão é uma característica do atual governo. Não basta o Estado ter mais abrangência de serviços, também o cidadão precisa aumentar sua capacidade de controlar o Estado. Por este motivo, incluímos a trilha de Inclusão Digital como elemento inovador.

É claro que queremos mostrar também as novidades do uso de tecnologias inclusivas, que não criam dependência e que mantêm o país no domínio dos produtos e serviços que utiliza. Por isto o CONSEGI tem o viés da tecnologia no mundo do software aberto e livre.

Muito se discutiu sobre as questões da tecnologia: todas têm suas vantagens e debilidades no mundo do software proprietário e do software livre. Nenhuma tecnologia é salvadora de todas nossas necessidades. É normal as pessoas mostrarem as vantagens do domínio que têm sobre o conhecimento da tecnologia que defendem. Temos que mudar este foco e pretendemos fazê-lo com a abrangência de temas e participantes. Não lembro de ter visto outro evento de tecnologia da informação com tantos parceiros de governo colocados juntos. O inovador no software livre não é a tecnologia, mas a capacidade de cooperação, ou seja, como lidaremos, juntos, com nossos problemas e soluções.

A lógica da cooperação deve contrapor-se a outro elemento muito vinculado ao domínio da tecnologia. Quando dizemos que o país deve dominar a tecnologia, não nos referimos a um projeto nacionalista, mas a um projeto internacional, que coopera também com outros países. O software livre é uma cooperação da humanidade. Nada melhor do que cooperar inicialmente na rede da América Latina, motivo pelo qual traremos representantes de países vizinhos ao nosso.

Outra questão importante para o Estado é a necessidade de lidar com padrões. Os atores do governo federal que compram tecnologia e se relacionam com a comunidade neste segmento precisam de orientação de governo sobre os padrões a serem adotados. Quem cuida deste assunto é a Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação – SLTI/Ministério do Planejamento. Assim, estará conosco no CONSEGI o órgão regulador das relações do Estado com a sociedade, tanto no que toca à qualidade dos serviços prestados quanto na forma de comprá-los.

Por fim, teremos sucesso com o CONSEGI se criarmos uma efetiva rede de cooperação, interna ao governo, com a sociedade e com os países presentes. O evento tem que ser um momento de reflexão, compartilhamento e confraternização, mas deve ocorrer dentro de um grande ciclo que continuará acontecendo depois, até o próximo evento, em 2009. Precisamos sair do CONSEGI já com a formação da rede, projetos ambiciosos compartilhados, possibilidades de troca e criação de uma rotina de trabalho em cooperação.

Quem utiliza o software livre participa muito mais de um engajamento que muda as relações sociais do que de um movimento que muda só a tecnologia.”

Marcos Vinícius Ferreira Mazoni, Diretor-presidente do Serpro